David Leitch está se tornando referência em um gênero que vem ganhando força ultimamente, a comédia de ação, que para certos integrantes do SQLVS, só não supera a dramédia… Ele já tinha ido bem em Deadpool 2 e, recentemente, com o inesperadamente divertido Trem-Bala. E agora repete a dose em O Dublê, que está nos cinemas.
O filme tem roteiro de Drew Pearce (de Velozes e Furiosos: Hobbs e Shaw) e é baseado na série Duro na Queda, da década de 1980. Nós acompanhamos a história de Colt Seavers (Ryan Gosling), que há anos trabalha como dublê do astro Tom Ryder (Aaron Taylor-Johnson) enquanto curte sua paixão pela assistente Jody (Emily Blunt). Após sofrer um acidente, ele se afasta da profissão e do mundo, até que uma proposta irrecusável da agente de Ryder, Gail Meyer (Hanna Waddingham), o faz retornar. A partir daí, Colt se encontra envolvido em um grande mistério.

Do Japão para a Austrália
Se em Trem-Bala, Leitch, que é ex-dublê, tinha os neons e a tecnologia do Japão, aqui, ele vai para a ensolarada Sidney, na Austrália, com uma pegada oitentista, cheia de ação, claro, mas que se destaca muito pelo humor. O filme tem até momentos de pastelão e me tirou boas risadas. Muito disso vem da ótima atuação do protagonista Ryan Gosling, totalmente à vontade no gênero, como tínhamos visto recentemente em Barbie (que lhe rendeu uma indicação ao Oscar) e em filmes como Dois Caras Legais, outro da comédia de ação. E méritos também pro elenco de apoio, que conta com a sempre competente Waddingham (lá de Ted Lasso), que aqui, como Taylor-Johnson, se mostra canastrona, mas funciona, o papel exige.
Desde que começou na direção, no primeiro John Wick, Leitch tem se mostrado um diretor criativo para a ação. Vimos isso em Atômica e Deadpool 2. Em O Dublê também temos sequências muito boas e o que torna interessante é que o filme é um grande making of, nós acompanhamos como as cenas são gravadas, o que dá muito espaço para Gosling, Blunt e os demais atores exercitarem suas veias cômicas.

Experimentando com a linguagem
Mas, Leitch também brinca com a linguagem cinematográfica e traz outros momentos interessantes, como uma luta de Gosling em uma casa noturna, quando ele é drogado e passamos a ver efeitos de animação e borrados na tela, acompanhamos a subjetividade do personagem. Há ainda uma sequência criativa com a tela dividida, na qual os personagens debatem sobre o próprio recurso. E tem o filme que está sendo produzido dentro de O Dublê, “Metalstorm”, que é uma total chacota com Duna.
A trilha traz clássicos do rock como “I Was Made for Loving You Baby”, do Kiss, que permeia o filme todo em diferentes versões, tem Phill Collins e também um instrumental que remete muito às produções de ação dos anos 80.

Não revoluciona, mas entrega
A trama em si não traz nenhuma novidade, inclusive, é até clichê. O mistério não é difícil de desvendar e a conclusão é extremamente previsível. Mas O Dublê vale pela ação, pelas boas atuações, pela envelopagem com os vários elementos de bastidores e produção – os créditos iniciais e finais são roteiros, por exemplo – e pelo humor. No geral, é bem divertido.
Obs.: O filme tem uma cena pós-créditos, mas ainda antes, no final, tem a participação especial de um ator bem famoso, que ganha pontos por saber rir de si mesmo.
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