Street Fighter

Street Fighter

Potencial de diversão da nova adaptação dos jogos da Capcom acaba sendo enterrado nos exageros da produção

Street Fighter é um dos jogos que eu mais joguei, desde os fliperamas até várias versões em diversos vídeo-games estava eu lá dando as minhas voadoras, hadoukens e shoryukens. Eu também estava lá em 1994 pra assistir o filme estrelado pelo Jean-Claude Van Damme e com o M. Bison do Raul Julia. Então, parece que eu sou o público para o novo Street Fighter, que está agora nos cinemas, certo?

Bom, só parece porque, pelo exagero de cortes, barulho e gritaria do filme, como bem observou o nosso professor de nerdices, Thiago Costa, que estava lá comigo, parece que esse Street Fighter foi pensado mesmo para a geração Z. Mas será que eles conseguem passar por cima dos problemas?

Cena icônica do jogo com visual dos anos 90 (Imagem: divulgação)

Esforço de ambientação

Neste Street Fighter, nós começamos vendo como foi formada a relação de irmãos entre Ryu (Andrew Koji) e Ken (Noah Centineo), ainda na década de 1980. Depois de um evento na época, os dois se separam e, em 1993, quando a história se passa, vemos as vidas dos dois separadamente, até que um convite para um novo torneio mundial de lutadores pode fazer eles se encontrarem novamente.

O filme começa com esse flashback, que é mostrado na forma de uma animação, o que vamos ver em vários outros momentos. E a animação acaba sendo a melhor parte do longa, muito bem-feita e mais bem montada do que a parte live action, parece até que foi comandada por uma pessoa diferente do roteirista e diretor do filme, Kitao Sakurai.

Outra questão que funciona em partes é a ambientação nos anos 90, tanto pelos (poucos) momentos em que vemos a imagem em formatos da época, a presença da MTV e sua linguagem visual, como pela trilha sonora, que traz uma infinidade de versões de “What’s Up”, da banda 4 Non Blondes, quanto Meredith Brooks, e Offspring, entre outros. É aquela mesma coisa de Guardiões da Galáxia, de encher o filme de músicas famosas, mas até funciona. E a trilha instrumental também é interessante ao integrar em vários momentos músicas vindas do jogo.

Ken (Centineo) e Balrog (50 Cent) durante uma luta. (Imagem: divulgação)

Muitos personagens, pouco aproveitamento

E o filme também traz uma série de personagens dos jogos, tanto os conhecidos, – além de Ryu, Ken e Bison, temos Chun-Li, Blanka, Guile, Honda, Cammy, Dhalsin, Balrog, Vega e Zangief -, como alguns menos vistos, como Dan (que tem um tempo enorme de tela), e inesperados, como Akuma. Todos estão bem caracterizados e com seus golpes característicos, o que envolve um CGI que, na maior parte do tempo, funciona.

Você pode estar se perguntando: mas só estou vendo elogios, qual é o problema do filme? Para começar, há uma questão de ritmo. O longa é extremamente acelerado, então a montagem é confusa. Dos vários personagens citados, nós acabamos vendo poucos em lutas mais elaboradas. Muitos aparecem em uma passagem que é corrida, barulhenta, cheia de cortes e fica difícil tentar gostar de alguma coisa.

Quando vamos para as próprias lutas, a direção é pouco inspirada, até porque ocorrem em um mesmo local que também não tem muito a oferecer. A exceção são as lutas entre Ryu e Ken, que ocorrem em vários momentos e locais, com dinâmicas diferentes e conseguem trazer algo de novo.

Bison (Dastmalchian), um vilão mal aproveitado. (Imagem: divulgação)

As atuações são outro problema porque parecem fora de tom. O filme se vende e tenta ser uma galhofa, mas aí vai e coloca um dos seus protagonistas, Ryu, em uma jornada dramática e bem aborrecida, ele é contido de algum forma na maior parte do filme. Ken, sim, é um fanfarrão, mas a atuação de Centineo é exagerada e irritante em muitos momentos. A Chun-Li de Callina Liang também enfrenta um drama pessoal que não a deixa entrar na piada durante boa parte do filme. O grande vilão M. Bison, aqui interpretado por David Dastmalchian não consegue aproveitar a persona já excêntrica do ator por ser um personagem muito contido, uma escolha que não faz sentido, ainda que muito do que o envolve tenha uma estética nazista, na tentativa de dar mais peso à ameaça.

E temos o Blanka. Jason Momoa é fanfarrão por essência e consegue trazer isso para o personagem, mas, além de ele lembrar muito o Hulk, tem pouco tempo de tela (o que não impede que o filme faça mais de um aceno para o fato de ele ser brasileiro).

Hulk… aliás, Blanka (Momoa) dando seus choques. (Imagem: divulgação)

Apenas o começo?

O filme também tem um problema para definir os seus vilões, que acabam sendo diferentes personagens em vários momentos, tirando a força da trama. Mesmo o humor, na maior parte do tempo é sem graça, isso só vai começar a funcionar nos últimos momentos do filme, quando já é tarde demais.

Porque Street Fighter claramente foi pensado como o começo de uma série de filmes, resta saber se o público vai abraçar o suficiente para que essa ideia realmente entre em prática. Mas, a primeira tentativa, já deixou a desejar.

Siga a gente por aqui, todas as semanas trazemos dicas de filmes, docs e séries, além de spoilers fresquinhos pra você espalhar por aí!
::
Instagram: @sqlvs.podcast
Twitter: @podcast_sqlvs
E-mail: contato@sqlvs.com.br

Gostou? Compartilhe:

Você também irá curtir:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

+ Blogcast

Street Fighter

Potencial de diversão da nova adaptação dos jogos da Capcom acaba sendo enterrado nos exageros da produção

Leia Mais »

Pânico 7

Nostalgia e fan service tentam segurar a franquia que está cambaleando, mas ainda consegue divertir

Leia Mais »

O Último Azul

Filme premiado com o Urso de Prata no Festival de Berlim e concorrente à indicação do Brasil ao Oscar subverte a velhice para escancarar como é tratada.

Leia Mais »