Eu acompanho a franquia Pânico desde o começo. Eu adorava os slashers adolescentes da década de 90 e Pânico foi o primeiro e principal expoente dessa safra. E eu fui longe, assisti até o 4, todos no cinema. Mas, acabei indo além da Neve Campbell, que pulou só o 6, e também não me interessei pelo 5.
Por isso o anúncio de que Pânico voltaria às origens (mesmo que não pelas melhores razões), me deixou curioso a ponto de retornar ao cinema para assistir. E realmente está lá protagonizando Neve Campbell, a final girl interminável, acompanhada de Courtney Cox, que nunca perdeu um ataque do Ghostface. Mas o que mais chama a atenção é o nome de Matthew Lillard, que falou bastante publicamente sobre a participação, porque nós vimos o que houve com o personagem no primeiro Pânico, de 1996.
E outro nome importante que retorna é Kevin Williamson, roteirista dos dois primeiros filmes, agora assumindo o roteiro e a direção, no lugar do mestre do terror Wes Craven, falecido em 2015 e que ajudou a moldar a franquia ao comandar os quatro primeiros filmes. E, ok, dá para dizer que o espírito está aqui.

O Pânico que conhecemos
Pânico 7 começa com uma morte tal qual a de Drew Barrymore – que só queria comer a sua pipoca em paz no primeiro filme – e desde aí estabelece um clima de tensão que é mantido durante o longa. E é de se destacar também o trabalho visual que Williamson desenvolve juntamente com o diretor de fotografia Ramsey Nickell, o que resulta em belos quadros como o Ghostface com asas de fogo demoníacas ou a cena final após uma sequência em um palco. O filme, no geral, consegue trazer a brutalidade das mortes da série.
Mas, também há pontos negativos a se destacar. Se por um lado a Sidney, de Neve Campbell, até consegue transmitir bem a mulher com uma vida traumática que se torna uma mãe superprotetora, por outro lado, parece que todos os outros personagens estão forçados, chegando ao ponto de parecerem canastrões. Isso vale especialmente para a Gale, de Courtney Cox, a repórter também traumatizada que acompanha os Ghosfaces ininterruptamente desde o primeiro filme, mas que não consegue transitar entre a ganância e a angústia de forma convincente.
E os novos personagens também não ajudam, como o comediante Joel Mchale, que parece perdido e apagado como o delegado da cidade e marido de Sidney; Isabel May, a filha de Sidney e foco da história, também não convence; Asa German (lá de Gen V e The Boys), só faz coisas sem sentido e Timothy Simons (ótimo em Veep), segue a sua sina de papeis estranhos e vazios.

O esforço para tentar ser atual
Dos reboots já enterrados, Pânico 5 e 6, temos os retornos de Chad, personagem de Mason Gooding, e Mindy, de Jasmin Savoy Brown. A dupla é usada para uma série de tiradas espertinhas, mas especialmente Mindy reúne todas as falas nas quais os roteiristas queriam fazer críticas à indústria cinematográfica. Então ela é responsável por várias piadas, que incluem alfinetadas em como são os roteiros de terror e nos filmes do reboot e que acabam tornando a personagem um pouco irritante.
Além disso, Pânico 7 parece ser um liquidificador de assuntos do momento, então, o filme também trata de Inteligência Artificial, isso de tudo virar Aribnb, e outras questões, tudo sem profundidade nenhuma. Isso, em um roteiro cheio de soluções fáceis.
Mas, talvez o maior problema esteja na essência do filme. Pânico 7 faz um trabalho muito ruim com os seus assassinos. Se no primeiro longa havia um ataque a um certo padrão de perfeição, isso foi se diluindo com o tempo, até praticamente fazer água nesta sétima versão.
Pânico 7 deve agradar aos fãs que vão se divertir pescando as diversas autorreferências e também por alguns momentos bem construídos. Mas, acaba evidenciando o que o quarto filme já mostrava: a fórmula e o elenco estão cansados e talvez seja o momento de guardar de vez a máscara do Ghostface na gaveta.
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